Natalie Portman
 
 
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ENTREVISTA
'Eu sou uma pacifista'
A atriz Natalie Portman critica a politização de Hollywood

ANARQUISTA
V (Hugo Weaving) usa a máscara do conspirador Guy Fawkes e marca data para conflagrar Londres

ÉPOCA - Por que interpretar essa personagem tão controversa?
Natalie Portman -
 Eu me interessei em entrar na cabeça de uma pessoa que passa por um processo que a faz acreditar que usar a violência é uma maneira legítima de expressar sua crença política. Gosto do jeito como a personagem é tratada na história em quadrinhos. Você acredita que ela foi manipulada ou recuperou sua integridade. Existem múltiplas interpretações sobre ela, e o público não sai com a mesma opinião.
ÉPOCA - Você a definiria como terrorista ou defensora da liberdade?
Natalie -
 Uma das idéias do filme é levantar questões difíceis de responder. Por que muitos acreditam que alguns tipos de violência são legítimos e outros não? Categorizar a violência banaliza seus efeitos, que são sempre os mesmos, quer você tenha pensado em matar uma pessoa, quer tenha matado um civil ou um soldado. Nossa relação com a violência é ambígua, tentamos demonizá-la e glorificá-la ao mesmo tempo.
ÉPOCA - Sua personagem (Evey) pode ser considerada terrorista?
Natalie -
 Nunca vou ter uma resposta sobre a personagem, pois minha opinião sobre ela muda a cada momento. Sou uma pacifista - sem querer soar ridícula (risos) - e não sei se poderia cometer um ato de violência. Atos de violência surgem de todos os lados. Violência é uma extensão do instinto humano, não dá para ser banalizada.
ÉPOCA - Por que Hollywood aposta agora nos filmes políticos?
Natalie -
 Hollywood não é altruísta. Quando Fahrenheit 11 de Setembro fez sucesso, os estúdios ficaram intrigados. Bons cineastas sempre se interessam por temas políticos. Só agora têm mais oportunidades, pois os estúdios viram o potencial comercial.
Marcelo Bernardes, de Nova York

 
 
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